Fritz Perls: a Psicologia Gestalt a Viver os Seus Sonhos

Fritz Perls, o fundador da psicologia Gestalt, é o terceiro pilar do triunvirato de mestres do sonho de que vamos falar. Gestalt é uma palavra alemã que significa «forma».

A terapia Gestalt estuda as nossas percepções e comportamentos relativamente ao conjunto das nossas respostas. 

Por outras palavras, o objectivo de Perls era ajudar as pessoas a descobrirem as suas falhas emocionais inconscientemente escondidas, resolvê-las e a tornarem-se novamente num ser unido.

Perls acreditava que os nossos sonhos têm zonas afastadas do próprio ser. A sua principal abordagem era tentar reintroduzir estes aspectos negados da nossa personalidade no conhecimento consciente.

Todos e tudo no sonho representam parte da alma do sonhador no presente. Somos os criadores e atores nos nossos sonhos.

Por isso, para descobrir o que afastávamos (ou onde estão as nossas falhas emocionais), era importante recontar a perspectiva de cada personagem e objeto. Uma das formas de obter vários elementos do sonho (e do próprio ser) era usar a técnica das «cadeiras».

O sonhador senta-se numa cadeira e assume as características do objecto ou pessoa do sonho. O sonhador muda então de cadeira e dirige-se ao outro objeto/à outra pessoa no papel do segundo, e por aí fora.

Trocando repetidamente de cadeiras e de personagem, as partes do sonho (da pessoa) focam-se em termos de teor, postura, tom e emoção.

Como funciona a psicologia Gestalt

Eis um exemplo de como funciona o Gestalt: suponha que no sonho estava a correr muito depressa num campo de flores amarelas. Podia ser-lhe pedido para ser você próprio no sonho ou ser as flores. Ia também ser-lhe pedido para dizer o que cada «personagem» sentiu. Lembre-se que os terapeutas da Gestalt, num esforço para estarem «no presente» insistem que o sonho deve ser relatado no presente e de acordo com cada uma das partes.

Assumindo o papel da pessoa que corre, poderá dizer às flores: «A vossa existência interessa porque são bonitas, formosas e vivas.»

Nesta altura, o terapeuta de Gestalt pedia-lhe para mudar de cadeira e falar com a cadeira agora vazia com a voz da flor! E como flor deveria dizer «Passas sempre a correr por mim. Ignoras-me. Na verdade, acho que tens tanta pressa que tenho medo que me pises.»

Nesta altura, o sonhador pode aperceber-se de que não sente na sua vida estas qualidades que as flores sentem. Não se sente gracioso nem bonito. 

Quando se apercebe de que ele próprio sente falta destes sentimentos, pode aperceber-se de que as flores no seu sonho são da sua própria criação.

E isso significa que algures dentro de si existem os atributos de beleza, graça e vitalidade! Logo que o reconheça, o terapeuta da Gestalt pode dizer que agora pode reclamar estes aspectos escondidos da sua personalidade.

Muitas pessoas acham esta abordagem útil. O especialista em sonhos Robert Van de Castle pensa que esta abordagem funciona bem nos sonhos recorrentes e sobretudo nos pesadelos. 

O sonhador pode reduzir a intensidade do medo tendo uma «conversa» frontal com a parte do sonho tão tirana. Contudo, os críticos também dizem que a abordagem de Perls é muito frontal e agressiva. 

Mas a forma de a Gestalt ver os sonhos pode dar-nos uma compreensão imediata dos nossos sonhos e as peças de nós próprios que estavam em falta.

Espero que sinta que estas três formas de ver os seus sonhos seja interessante. Ao interessar-se mais pela utilização destas técnicas, pode descobrir que é mais útil do que um conjunto de técnicas. 

Pode também descobrir que diferentes tipos de sonhos têm diferentes tipos de interpretação. 

E, claro, à medida que vai lendo este livro, vai conseguir juntar as técnicas que lhe dão uma teoria mais personalizada dos seus sonhos.

Que importância pensa que têm os sonhos?

Tratámos a natureza psicológica dos sonhos na medida em que os cientistas conseguem entendê-la. Tratamos os sonhos como uma manifestação do nosso inconsciente e uma parte vital da teoria psicanalítica que se tornou no marco do pensamento do século XX sobre o comportamento humano e da mente.

Que acha? Os sonhos são disparos neurológicos de sinopses destinadas a limpar os nossos cérebros da informação excessiva? Ou janelas psicológicas profundas dos nossos sentimentos, pensamentos e desejos mais íntimos? Ou ambas?

Pensamos que os cientistas e psicólogos concordariam que, se maximizar a saúde e adquirir bons hábitos de dormir, tem a vantagem de poder ter um sono REM. Afinal, um dorminhoco saudável é um sonhador saudável. E ao prestar atenção ao conteúdo dos seus sonhos, pode começar a concentrar-se nas imagens e temas com que sonha.

O que precisa de saber

  • Todos temos um inconsciente (aparentemente) cheio de esperança, sonhos e desejos que reprimimos para nos sentirmos confortáveis na sociedade e connosco.
  • Os sonhos são muitas vezes o lugar onde o material inconsciente vem à superfície.
  • Freud pensava que o teor do nosso inconsciente estava relacionado com a agressão e o sexo. O teor latente dos nossos sonhos realça-os disfarçadamente.
  • Jung acreditava que os nossos sonhos contêm mensagens do nosso próprio ser e do nosso ser colectivo. Os dois sonhos devem ser compreendidos em termos vastos e íntimos para continuarmos a nossa procura de todo o espiritual e emocional.

Perls desenvolveu a abordagem Gestalt para a interpretação do sonho, que via os sonhos no presente e tratava cada aspecto do sonho como uma parte do próprio ser. O seu objetivo era reintroduzir toda as peças do sonho ao sonhador, possibilitando a este «preencher as falhas emocionais.»